Brasil continua se recusando lá fora a fixar metas de redução das emissões de gases poluentes na atmosfera
O governo brasileiro continua se recusando a fixar metas de redução de suas emissões de carbono, embora se disponha a cooperar com o enfrentamento do aquecimento global dando continuidade a suas atuais políticas de proteção ambiental.
Para espanto dos europeus e dos ambientalistas de todo o mundo, o secretário-executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (CIMC), José Miguez, teria deixado claro a posição do governo Lula durante a reunião preparatória da Organização das Nações Unidas (ONU), que começou ontem.
Até sexta-feira, os delegados vão definir as primeiras propostas do tratado que deve substituir o Protocolo de Kyoto, cuja vigência termina em 2012.
O secretário-geral da convenção, Yvo Boer, comissário da ONU para mudanças climáticas, disse ser importante que os países ricos se empenhem mais no combate ao problema.
“Uma pedra angular do Protocolo de Kyoto é que os países desenvolvidos assumam a liderança na redução das emissões, porque são eles os que, fundamentalmente, causam o problema”, disse às agências de notícias.
Estão reunidos na capital austríaca representantes de mais de 150 países que preparam a reunião da ONU sobre clima em Bali (Indonésia), marcada para dezembro, quando ministros de Meio Ambiente de mais de 100 países debaterão medidas concretas para tentar estabelecer metas de redução das emissões de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.
Devido principalmente às queimadas, o Brasil é considerado o quarto maior emissor de gases do efeito estufa do planeta.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, apresentou há poucos dias dados mostrando queda na devastação da Amazônia, mas o equivalente a meio estado de Sergipe ainda vem sendo destruido anualmente, por derrubadas para comércio ilegal de madeira e queimadas para limpeza de áreas destinadas depois a pasto para gado e eventualmente a lavouras de soja, especialmente nas bordas da floresta amazônica onde há contato com rodovias.
Ambientalistas no Brasil e políticos ligados à causa ambiental no Congresso protestam contra a posição brasileira.