PROGRAMA NUCLEAR PRECISA SER DISCUTIDO COM CIVIS, EXIGEM PARLAMENTARES E AMBIENTALISTAS
A decisão do governo de reativar o projeto de Angra 3 foi criticado hoje durante reunião da Frente Parlamentar Ambientalista, coordenada pelo deputado Sarney Filho (PV-MA) por parlamentares e pelo Greenpeace. O ministro interino das Minas e Energia, Nelson Hubner, defendeu a utilização de energia nuclear no país, com a ativação de mais uma usina, Angra 3,como forma de enfrentar um possível apagão devido ao crescimento de programas, como o Luz para Todos. Já o diretor de Políticas Públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão, afirmou que a decisão do governo foi tomada sem que o Congresso Nacional e a sociedade civil tivessem sido ouvidos.
“O diálogo é necessário para que os erros cometidos na década de 80 não se repitam, quando foi adotado o Programa Nuclear Paralelo, sem qualquer transparência e cujos recursos não chegaram a passar pelo crivo do Tribunal de Contas da União”, afirmou Sérgio Leitão. Sarney Filho também criticou a decisão do governo, ressaltando a importância do Congresso ser ouvido sobre a questão.
“A preocupação com a produção de energia é legitima. O que não é legitimo é a opção do governo por produção de energias que a sociedade brasileira como um todo repudia, como é o caso das as usinas nucleares” disse o deputado. Ele lembrou que existem alternativas para suprir o país, citando além da repotencialização das usinas hidrelétricas mais antigas, o uso de energias alternativas, como a eólica e a solar, que não agridem o meio ambiente e são mais seguras.
O coordenador da Frente disse acreditar que o governo brasileiro tenha recebido pressões, até mesmo internacionais, para desengavetar o programa, já que, segundo ele, “não se justifica a ativação de Angra 3 e o seu funcionamento junto com Angra 1 e 2 em localidades que ficam na beira do mar”.
“Não sabemos se daqui a algum tempo, com o aquecimento global e com o aumento do nível do mar essas áreas serão atingidas pelo mar”, alertou o deputado, que defendeu ainda a necessidade de rigor para a aprovação de licenciamento ambiental de obras de grande impacto, como as hidrelétricas.
Arma dos desesperados
O deputado Edson Duarte (PV-BA), que foi relator de um trabalho sobre a segurança das usinas nucleares na Câmara dos Deputados afirmou que “a opção pela energia nuclear é uma arma dos desesperados e o Brasil não precisa disso”. Ele lembrou que países em desenvolvimento já estão priorizando a produção de energias alternativas, como a eólica, mas o Brasil, segundo ele, está atrasado nessa área, “porque quis um produto 100% nacional e acabou ficando sem nada”.
O ministro interino das Minas e Energia reforçou, em defesa da energia nuclear, que o governo Lula “não quer ter a marca do apagão”, que teria um grande custo econômico e social. Nelson Hubner criticou as dificuldades que o governo enfrenta para liberar os licenciamentos ambientais de grandes hidrelétricas.
“Não adianta dizer que vamos atender o país repotenciando usinas hidrelétricas. Os ganhos serão pequenos diante da demanda que cresce a cada ano”, justificou.
O deputado Luiz Carreira (DEM-BA) também lamentou a decisão do governo de colocar um funcionamento Angra 3, sem ouvir a sociedade. “Apesar dos esforços da ministra Marina Silva, o governo não tem dado a atenção devida à questão ambiental e jogou no colo da área ambiental a decisão de aprovar rapidamente licenciamentos de obras complexas”, afirmou Carreira. O deputado Ricardo Trípoli (PSDB-SP) lamentou que o país “esteja vivendo de novo o pesadelo dos anos 70”, com a reativação de projetos nucleares. “Ainda não se tem uma solução para os rejeitos radioativos. Acredito que o governo está agindo de forma açodada e temo que possam ocorrer novos desastres, como o do Césio 137 em Goiânia”, alertou Trípoli.